Outono nos Antípodas :: Antipodean Autumn

Castanhas do mercado, marmelos de uma vizinha e maracujás e feijoas cá de casa. Frio de manhã e ao fim da tarde. A chaminé limpa e a garagem cheia de lenha. Outono, estamos prontos!
Chestnuts from the farmers’ market, quinces from a neighbour, passionfruit and feijoas from our garden. Cool mornings and evenings. The chimney has just been cleaned and the garage is full of firewood. Autumn, we’re ready for you!

(photos© Constança Cabral)

Les Aventures de Tintin en Nouvelle-Zélande

Apesar de não se festejar o Carnaval na Nova Zelândia, nós não resistimos a mascarar o Rodrigo, nem que seja só por meia-hora. Lembram-se do Dom Rodrigo de há um ano? Pois este ano — em honra de um avô que é um grande tintinófilo — o Rodrigo encarnou o Tintin.
A máscara foi feita com a prata da casa (só as meias é que foram compradas de propósito) e as aventuras não foram mais do que posar no corredor e ir ajudar o pai a empilhar lenha na garagem. Mas divertimo-nos todos e isso é que interessa!
Although Carnival isn’t celebrated in New Zealand, we always end up coming up with a costume for Rodrigo. Remember last year’s Dom Rodrigo? Well, this year — in honour of a tintinophile grandfather — Rodrigo embodied Tintin.

The costume was made with his regular clothes (only the white socks were bought especially for the occasion) and the adventures only lasted for half an hour: he posed for photos in the corridor and helped Tiago stack firewood in the garage. But we all had fun and that’s what matters!
(photos© Constança Cabral)

Tomates de Jardim :: Garden Tomatoes

Apesar de a Nova Zelândia não ser um país quente como Portugal, é bem mais temperado do que o Reino Unido. Chove bastante, o vento é inacreditável, mas felizmente há muitos dias de sol (o sol mais forte que senti na minha vida). Chuva + sol + terra fértil = jardins com muita produtividade!
Há uns anos, quando ainda vivíamos em Inglaterra, escrevi uns posts que intitulei “a saga do tomateiro“… a verdade é tentar cultivar tomates num jardim inglês (sem estufa) é uma verdadeira saga. Aqui na Nova Zelândia basta plantá-los na terra e ir regando. Nem imagino como será em Portugal!
Mais uma vez verifico que vale a pena fazer experiências. Não é preciso ter uma horta a sério para comer fruta e vegetais homegrown — basta um canteiro ou até mesmo uns vasos. Experimentem!
Although New Zealand isn’t as hot as Portugal, it’s much warmer than the UK. It rains quite a lot and the wind is unbelievable but thank goodness there are many sunny days (never before had I felt such a strong sun). Rain + sun + fertile soil = very productive gardens!

Back in 2011, when we were still living in England, I wrote a series of posts that I entitled “the tomato plant saga“… attempting to grow tomatoes in an English garden (with no greenhouse) is a real saga. Here in NZ you just plant and water them. I can’t imagine how it’s like in Portugal!

Once again I realise that it pays to conduct your own little experiments. You don’t need a proper kitchen garden in order to eat homegrown produce — one bed or a few pots will do the trick. Do give it a try!
(photos© Constança Cabral)

Coromandel

Fomos passar uns dias ao Coromandel, uma península no norte da Ilha do Norte. Dormimos numa casinha de madeira no meio do bosque e, apesar do mau tempo (desengane-se quem acha que a NZ é um país quente), ainda deu para ir um bocado à praia.
E por falar em praia, que praia! Sem carros a passar na areia (como é normal na nossa zona), e com algas cor-de-rosa, conchas perfeitas, pompons de palha, búzios com o interior em madrepérola, pinhas e seixos, madeiras desbotadas pelo sol, gaivotas, pedras-pomes, árvores a fazer sombra na areia, gente a apanhar amêijoas para o jantar e o som das cigarras. 
Foram umas férias curtas mas muito felizes.
Last week we went up to the Coromandel, a peninsula in the north of North Island. We slept in a little wooden cabin hidden in the woods and despite the weather (a lot of people seem to be under the impression that NZ is a very hot country… well, it’s not), we managed to spend some time at the beach.

And speaking of the beach… it was wonderful! No cars driving on the sand (a common occurrence in the area where we live) and filled with treasures like pink algae, straw pompons, nacre conches, pinecones and pebbles, sun-bleached driftwood, pumice, the shades of trees on the sand and the sound of cicadas.

They were short holidays, but very happy ones.
(photos© Constança Cabral)

Apanhar Mirtilos :: Picking Blueberries

No fim-de-semana passado fomos apanhar mirtilos a uma daquelas quintas pick-your-own. Havia centenas de arbustos carregados de bagas e teve muita graça ver o Rodrigo a apanhar, comer e atirar mirtilos ao ar. Foi uma manhã muito bem passada!
Nesse dia o Tiago e eu jantámos panquecas de mirtilo e estou a pensar fazer uns batidos e uns quantos frascos de doce. Alguém tem mais sugestões?
Last weekend we went blueberry picking to one of those pick-your-own farms. There were hundreds of bushes laden with berries and it was fun to watch Rodrigo picking, eating and throwing them in the air. It was a morning well-spent!

That day Tiago and I ate blueberry pancakes for dinner and I’m planning on making smoothies and a batch of jam. Have you got any other ideas?
(photos© Constança Cabral)

Entrada :: Hall

 

 

 

 

 

A nossa entrada está a ficar muito composta. Resolvemos pintar o corredor em duas cores: 2/3 em branco e 1/3 num azul-acinzentado (eu queria uma cor mais esverdeada mas não consegui encontrar “aquele” tom). Está a ficar com um ar fresco e moderno, mas simultaneamente clássico qb para uma casa antiga.
Agora falta forrar o sofá de palhinha e fazer uns cortinados para a porta (as correntes de ar deste corredor são inacreditáveis… há frinchas e frestas em todo o lado. Bem dizem que as casas neozelandesas têm grandes problemas em termos de isolamento).
Ainda há muito trabalho pela frente, mas sabemos que vai valer a pena!
Our hallway is coming out very nicely. We’ve decided to paint the corridor in two colours: 2/3 in white and 1/3 in a greyish blue (I was looking for something with a bit more green in it but couldn’t find the perfect shade). It’s turning out quite fresh and modern but at the same time classic enough to suit an old house. 
 
Now we just have to reupholster the cane sofa and sew some curtains for the front door (this corridor is incredibly drafty… there are little gaps and cracks everywhere. I’ve heard that NZ houses have got great insulation issues). 
 
There’s still a lot of work ahead of us but we know it’ll be worth it in the end!
(photos© Constança Cabral)

Bom Natal! :: Merry Christmas!

Hoje finalmente fiz a nossa árvore de Natal, com uns troncos que apanhei na praia e estas bolas que a minha mãe tricotou para nós (não estão fantásticas?). Umas luzes em cima da lareira, música a tocar e de repente quase parece Natal.

Queria desejar a todas as pessoas que vão passando por aqui um Natal com muita paz e alegria. Espero que passem estes dias em óptima companhia!


Today I finally set up our Christmas tree with a couple of branches I picked up on the beach and these ornaments my mother hand-knitted for us (aren’t they fantastic?). A string of fairy lights on the mantel, some music playing and suddenly it looks like Christmas is actually here.

I’d like to wish everyone who visits this blog a wonderful Christmas filled with peace and joy. I hope you get to enjoy these days in good company!


(photos© Constança Cabral)

Natal Cor-de-Rosa :: Pink Christmas

Apesar de estarmos a viver uma Primavera esquizofrénica (25ºC num dia, 15Cº no outro… às vezes calor e humidade, outras vezes frio e ventos ciclónicos e, claro, o Rodrigo constipado), decidi que tenho de abraçar este Natal-não-invernoso. Há que deixar a simbologia do hemisfério norte para trás e tentar encontrar novas referências. Este nosso Natal vai ser aquilo que a Páscoa não pode ser: uma festa em cores frescas. Venham daí o cor-de-rosa, o azul-turquesa, o verde-água e o amarelo-limão! 
Numa estrada aqui ao pé reparei nuns arbustos limpa-garrafas, uns cor-de-rosa claro e outros cor-de-rosa shocking. Em Portugal é fácil encontrar limpa-garrafas, mas só os conhecia em encarnado! São arbustos australianos e não neozelandeses, mas vêem-se bastante por cá. Pensei imediatamente que dariam uma coroa de Natal bem gira e, uns dias depois, voltei ao mesmo sítio munida da minha fiel secatória e apanhei alguns ramos.
Estas coroas são fáceis de fazer e têm bastante impacto: basta ir prendendo os ramos a uma armação circular, com a ajuda de um bocado de arame ou cordel, tendo o cuidado de orientá-los sempre na mesma direcção.
As coroas naturais duram bastante tempo em climas frios (as que fiz em Inglaterra duravam semanas a fio). Esta vai secar rapidamente, mas não faz mal porque já tenho uma ideia para a próxima!
Although we’ve been having a rather schizophrenic spring (25ºC one day, 15ºC the next… sometimes it’s hot and humid, other times it’s cold and windy… no wonder Rodrigo got a cold), I’ve decided that I must embrace this non-wintery Christmas. I’ve got to leave the northern hemisphere symbology behind and come up with new references. This Christmas is going to be what our Easter couldn’t be: a festivity in ice-cream colours. I want pink, turquoise, mint green and lemon yellow!

The other day I noticed a few bottlebrush shrubs on a road verge not far from here. The thing that struck me was their colour: light pink and hot pink! I’ve seen lots of bottlebrush shrubs in Portugal but they were always red. They’re native to Australia, not NZ, but you see them a lot around here. When I saw them I immediately thought they’d make a great Christmas wreath so a few days later I went back there with my trusty pair of secateurs and clipped a few branches.

These wreaths are very easy to make and have a great impact: you just attach the branches to a metal circle using a piece of wire or twine, making sure that they’re all pointing in the same direction.

Natural wreaths keep for quite a while in cold climates (the ones I made in England went on for weeks on end). This one will dry out quickly but that’s fine because I already have an idea for the next one!
(photos© Constança Cabral)

Um Natal Português

Tem sido difícil imbuir-me do espírito natalício aqui nos antípodas. A família está longe, praticamente não vejo televisão nem entro em lojas… e não é Inverno. As imagens que vejo na internet de camisolas de lã e enfeites em encarnado e verde causam-me estranheza. Ainda não decorei a casa nem fiz um único presente. Uhm…
Quanto mais globalizados ficam os nossos imaginários e tradições (Pinterest?), mais me apetece procurar aquilo que é português. Claro que alguns dos elementos que caracterizam Portugal agora, ou até mesmo há 100 anos, provavelmente não existiriam há 300… longe de mim querer cristalizar uma determinada ideia de portugalidade. Mas acho que percebem aquilo a que me refiro… afinal, o que é um Natal português?
Numa troca de emails recente com a minha amiga Gracinha, fui presenteada com a versão dela de um Natal português. Gostei tanto do texto que não resisto a partilhá-lo convosco. 
Um Natal português
por Graça Almeida Borges

Um Natal português? O meu Natal é… Uma preparação cuidada e a várias mãos da árvore de Natal. As mais jeitosas ficam encarregues das luzes. A estrela nunca está verdadeiramente direita. O Natal são chocolates na árvore a aparecer e a desaparecer misteriosamente (continuamente – o meu Pai certifica-se de que há sempre chocolates na árvore), só um fiozinho dourado e um resto pequenino de papel prateado rasgado a denunciar os roubos sucessivos. É um presépio bonito, composto, elaborado, com socalcos feitos de caixas antigas do Marks & Spencer e da Loja das Meias forradas de papel de lustro verde (quando éramos miúdos íamos todos à Mata de Barão de São João buscar musgo para o presépio), com pastores e pastorinhas espalhados, algumas ovelhas (neste presépio não há cabrinhas…), o burro e a vaca, um poço, algumas casas, São José e a Virgem Maria no topo, os três Reis Magos a caminho e o Menino Jesus a chegar só mesmo à meia-noite do dia 25. São demasiados doces a chegar lá a casa – um tronco de chocolate que não se deixa tocar, uma tarte de amêndoa da viúva do Sr. Daniel, fatias douradas, sonhos, e outros tantos que, eu confesso, nunca chego a provar.

O Natal é uma confusão de gente a entrar na casa da cidade, uma canja de galinha com arroz que começa a ser feita sempre em cima da hora, pão de forno na mesa e presunto acabado de cortar, bacalhau e couves, sem dúvida!, vozes, risos e gargalhadas altas, uma confusão em que ninguém se deixa ouvir. Os miúdos a correr de um lado para o outro. São duas mesas grandes, porque já há muito que não cabemos todos na mesma. O Natal são pequenos papelinhos com os nomes a indicar o nosso lugar. O Natal é esperar pelo Filipe e pelo Miguel que, cambaleantes na sua alegria, chegam sempre tarde do seu corridinho de Natal às casas e amigos de Lagos – chegam normalmente a falar uma língua inebriada que só os dois primos entendem. O Natal é azevinho. O Natal é comer à pressa para apanhar a Missa do Galo.

O Natal é um peru delicioso, por vezes destronado por um Galo Capão, com um arroz de grelos único. A receita do arroz de grelos passou da minha Avó Mia para a minha Mãe. (Esse peru ou galo e esse arroz de grelos ficamos a comê-los nos dois ou três dias seguintes. Eu sou a única que não se queixa…) O Natal é uma discussão constante em torno dos pratos do serviço de Natal – quem fica com o comboio, quem fica com o cavalo, quem fica com o soldadinho ou os soldadinhos, com o trenó e, sobretudo, quem NÃO fica com a corneta! O Natal é uma mesa bem posta: toalha, pratos, copos e guardanapos a condizer. O Natal são várias cores, de preferência nos mesmos tons. O Natal é uma lareira sempre acesa, o cheiro de lenha a encher a sala e a fugir da chaminé. O Natal é frio na rua, calor em casa. O Natal é muito vinho!

O Natal é uma tentativa contínua de um plano perfeito para viciar o sorteio dos presentes, cada vez mais controlado, cada vez mais difícil de viciar. (Depois de três anos ou mais a calhar a mim e às minhas irmãs trocar os presentes entre as três, começaram a desconfiar…) O Natal são passeios à cidade, a tentar equilibrar o passo na calçada escorregadia, a correr atrás do cheiro a castanhas assadas na rua. O Natal é uma troca constante de “Bom Natal”, “Boas Festas”, “Feliz Natal” quando passeamos pela rua. São postais de Natal em cima da lareira. São velas grandes e encarnadas acesas durante demasiado tempo, a derreter esquecidas sobre onde não queremos. O Natal é roupa quente, uma gola alta, um gorro, luvas de lã, um cachecol bem enrolado. São presentes também. Só um para cada pessoa. Escolhido a dedo e anunciado com muita imaginação. Com muito humor também. O Natal é lembrar quem não está e quem faz falta. Ou porque foi e já não volta ou porque simplesmente não pôde estar ali. O Natal é estar à mesa e deixar as muitas histórias e recordações prolongar o almoço e o jantar. O Natal em minha casa é a cumplicidade da boa-disposição. O Natal para mim é tudo isto… Mas é também muito mais. 
(texto: © Graça Almeida Borges; fotografia© Constança Cabral)

Flores de Novembro :: November Flowers

Nunca na minha vida tinha assistido a um Novembro tão florido! Eis alguns dos arranjos que fiz ao longo do mês com as flores do nosso jardim. O que nos trará Dezembro?
Never before had I experienced such a flowery November! Here are some of the arrangements I made during this month with flowers from our garden. I wonder what December will bring us…
(photos: © Constança Cabral)