Pão-de-Ló :: Portuguese Sponge Cake

Por vezes a abundância de sofisticação cansa-me. Claro que admiro originalidade e engenho — afinal, passo horas em blogs e no Pinterest, compro livros e revistas… tudo isso me inspira. A sofisticação é apropriada em alguns momentos, sem dúvida, mas confesso que, no dia-a-dia, prefiro simplicidade. Simplicidade não significa feito às três pancadas — pelo contrário, as coisas mais simples podem ter muita graça e muito requinte.

Há aqueles dias em que, confrontada com mais uma imagem de um bolo às camadas, com cobertura e decoração de bandeirinhas, só me apetece fazer/comer um singelo pão-de-ló. Se me quiserem acompanhar, eis a receita que a minha mãe me deu:

Decidir o número de ovos em função do número de pessoas a quem o bolo se destina. Como este bolo era só para nós os dois, fi-lo com três ovos.

Pré-aquecer o forno a 180ºC e untar e enfarinhar uma forma (escolher um tamanho de forma apropriado ao bolo que se vai fazer). Pesar os ovos (ainda com casca). Usar o mesmo peso dos ovos em açúcar (eu usei açúcar baunilhado, mas tradicionalmente usa-se açúcar normal). Usar metade do peso dos ovos em farinha. Acrescentar à farinha uma pitada de fermento para bolos.

Separar os ovos. Bater muito bem as gemas com o açúcar, até que a mistura fique branca e fofa. Acrescentar uma pitada de sal fino às claras e batê-las em castelo. Envolver metade das claras no primeiro preparado, depois envolver metade da farinha, depois o resto das claras e finalmente o resto da farinha.

Deitar na forma e pô-la no forno e, quando começar a cheirar a bolo, ir vigiando até o bolo estar bem cozido (eu espeto uma faca no bolo e, quando vier limpa, significa que o bolo está cozido). O tempo de forno depende do tamanho do bolo e do tipo de forno utilizado — este meu bolo demorou 20 minutos num forno eléctrico com ventoinha.

Tirar o pão-de-ló do forno, esperar 10 minutos e desenformar. É excelente acompanhado de leite com chocolate!

I sometimes find sophistication a bit tiresome. Of course I admire originality and wit and of course I’m inspired by blogs and Pinterest and magazines and books. Sophistication can be very appropriate in particular moments but I confess I tend to choose simplicity in my daily life. Simplicity doesn’t have to be wonky or untidy — on the contrary, the simplest things can actually be full of charm and refinement.

There are those days when, confronted with yet another image of a layered cake, fully iced and decorated with mini-bunting, I just want to bake/eat a simple pão-de-ló (Portuguese sponge cake). If you sometimes feel the same way, please feel free to try out my mother’s recipe:

First you’ve got to decide the number of eggs you want to use (this depends on the number of people the cake is aimed at). For Tiago and myself I used 3 eggs. 

Pre-heat the oven at 180ºC. Butter and flour a cake tin (choose an appropriate size for the cake you’re going to make). Weigh the eggs (still in their shells). Use that same weight in sugar (I used vanilla sugar but traditionally one would use caster sugar). Use half of that weight in flour. Add a pinch of baking powder to the flour and sift it.

Separate the eggs. Beat the yolks with the sugar until the batter becomes white and thick (this takes some time). Add a pinch of salt to the egg whites and whisk them until soft peaks form (they shouldn’t move when you turn the bowl upside down). Gently incorporate half the egg whites into the cake batter, then half the flour, then the remaining egg whites and finally whatever is left of the flour. 

Pour the batter into the tin and put it in the oven. When it starts smelling like cake, keep an eye on it and remove from the oven when it’s done (I insert a knife on the cake and when it comes out clean, I know that the cake is done). The amount of time the cake takes in the oven will depend on the size of the cake and on the type of oven. My cake took 20 minutes on a fan oven.

Wait 10 minutes and then take the cake out of the tin. It’s delicious with a glass of chocolate milk!

(photo: Tiago Cabral)

Vencedoras :: Winners


Muito obrigada por tantas ideias excelentes para utilizar etiquetas! Tirei à sorte de entre todas as participações e as cinco vencedoras são as autoras dos comentários que reproduzo abaixo. Por favor enviem-me um email com as vossas moradas. Bom fim-de-semana!
Thank you so much for so many amazing ideas for using kraft paper tags! I have randomly selected five commentators from within all the entries and the five winners are the ones that wrote the comments  below. Please send me an email with your addresses. Have a great weekend!

 ‪teresa said…
No Natal são óptimas para etiquetar as lembranças e prendas, sobretudo as feitas em casa: compotas, marmelada, pickles e licores. Ou os bonecos que vou fazer para os sobrinhos…
‪ lansucci‬ said…
Gosto muito de tudo o que se refere a papelaria. Ano passado, fiz umas etiquetas utilizando colagens de papel colorido, tecidos, rendas e botões, tudo feito e costurado à mão e utilizei-as como cartão de cumprimentos, acompanhando presentinhos. Quem as viu e/ou as ganhou, gostou muito.
É claro que gostaria muito de ser sorteada e ganhar etiquetas vindas das tuas mãos, um privilégio, pelo tanto que admiro teus trabalhos. Bjo Concha.
 ‪RITA said…
Etiquetas para tudo…
Caixas para as pirmeiras roupas(guardadas vezes 4) para as quatro com os presentes de baptizado, primeiras comunhãoetc…
Para idenficar presentes de Natal mas sobretudo para idenficar caixas e caixas de coisas que 6 pessoas numa casa conseguem acumular…
Bjs.
Rita
‪ Kat… said…
Este ano vou oferecer licor de morango, tangerina, canela e gengibre, que já estão em preparação há alguns meses. Essas etiquetas ficariam perfeitas nas garrafeiras que vou oferecer!
Cátia
 ‪Giesta said…
Adorava ter essas etiquetas. Parecem-me perfeitas para etiquetar gavetas, prateleiras e caixotes de arrumação.


(photo: Constança Cabral)

Etiquetas :: Tags & Labels

Adoro objectos de uso diário — quanto mais simples, melhor. Taças brancas de cerâmica, frascos de vidro, cestos, canecas de esmalte, papel pardo, cordel. E etiquetas de cartão. 
Estas etiquetas têm mil e uma possíveis utilizações: uso-as nas compotas e licores, nos embrulhos, em sistemas de organização de papelada, como adereços para as nossas produções fotográficas caseiras, enfim. Em conversa com a Rita da Made in Paper (conhecem o site?), pensámos que seria giro sortear aqui alguns conjuntos de etiquetas. A Rita muito generosamente preparou 5 conjuntos, cada um com 60 etiquetas (10 etiquetas de 6 modelos/tamanhos diferentes), todas cortadas manualmente e feitas em Portugal.

O sorteio estará aberto até sexta-feira. Para participar, basta que deixem aqui um comentário com as vossas ideias para utilizar etiquetas. Haverá 5 vencedores, tirados à sorte. Estamos cheias de vontade de ler as vossas sugestões!

I love objects of everyday use. White stoneware bowls, glass jars, enamel mugs, brown paper, string. And kraft paper tags.

These tags have so many uses: I attach them to jams and liqueurs, presents and filing cabinets, use them as styling props, etc. I was talking the other day with Rita from Made in Paper (do you know her website?) and we came up with the idea of giving away some sets of tags here on my blog. Rita has very generously prepared 5 sets, each containing 60 tags (10 tags of 6 different types/sizes), all of them hand cut in Portugal.

I’ll randomly pick a winner on Friday. To enter the giveaway, all you have to do is leave a comment with your ideas to use kraft paper tags. There’ll be 5 lucky winners! We can’t wait to read your suggestions. Good luck!

(photos: 1-3: Tiago Cabral; 4- Constança Cabral; 5- Made in Paper)

Zero Costuras :: No-Sew Ideas for Scraps

E hoje umas ideias para aproveitar retalhos que não envolvem uma única costura!

And today I’ve found a few ideas for scraps that don’t involve a single stitch! 

1- Cupcake Flag Toppers – Whip Up
2- Bobby Pins – Christina Williams
3- Fabric Bow Garland – Creature Comforts
4- Fabric Bangles – Corrieberry Pie
5- Fabric Pom Pom – Molly Chicken
6- Fabric Scrap Gift Tags – Creature Comforts
7- Bunting Lantern – You Had me at Bonjour
8- Decorative Thumbtacks – How About Orange
9- Christmas Wreath – Marie Claire Idées

Protecção para Cama de Grades :: Cot Bumper

Andei meses a adiar fazer uma protecção para a cama de grades do Rodrigo (haverá talvez um nome mais específico em português para isto?). Não é mais do que um rectângulo muito comprido de tecido almofadado, não especialmente difícil de executar mas extremamente aborrecido (quase tão aborrecido como fazer cortinados). Adiei, fui adiando, o Rodrigo ia ficando com os pés presos nas grades… até que um dia ocorreu-me que o ideal seria aproveitar umas fronhas de travesseiro (sabem, aquelas almofadas muito compridas que eram muito usadas antigamente nas camas) — não só têm as dimensões perfeitas para isto, como estão há anos a encher armários… já sabem que sou muito adepta de dar uso a tudo o que está em bom estado, mesmo que para isso seja preciso modificar-lhe a função original. 
(agora um pequeno aparte: sei que existe muito boa gente que ainda dorme com travesseiros, mas a verdade é que em casa da minha avó havia 17 fronhas arrumadas há várias décadas nas gavetas do armário da roupa branca… a última vez que me lembro de ter visto — e dormido — com um travesseiro foi na cama da minha tia-bisavó)
Escolhi as fronhas mais simples para esta protecção de cama — as bordadas e as de linho ficaram guardadas para projectos futuros. Achei que teria alguma graça conservar os botões, mas só o fiz do lado de fora da dita protecção. Usei enchimento de algodão entre duas camadas de fronha, acolchoei à máquina e acabei por debruar tudo com uma fita de viés às riscas azuis e brancas que tinha cá em casa. A intenção original era debruar a branco mas não encontrei fita suficiente dessa cor, e sinceramente, não tive energia para fazer 8 ou 9 metros de fita à mão. Também tinha pensado utilizar os atilhos das fronhas (nem todas fechavam com botões) mas, mais uma vez, não os tinha em número suficiente, por isso usei uma fita branca de algodão.
A cama ficou com um ar muito mais confortável e o Rodrigo acha muita graça a mexer nos atilhos e puxar tudo para baixo.

I knew I had to make a bumper for Rodrigo’s cot but for some reason I kept putting it off. It’s just a very long, quilted rectangle of fabric, fairly simple to make but oh so boring… almost as boring as sewing curtains. Until one day I had an idea: wouldn’t it be great to use some of those old long pillowcases to make a cot bumper? You know those long pillows that beds used to have in the olden days? One long pillow for two people? One long pillow and then some regular pillows on top? Those long pillows are now rarely used but the pillowcases still exist. In fact, a quick rummage through my granny’s linen closet revealed no less than 17 of them.

I picked the plainest pillowcases for this bumper and saved the linen, embroidered ones for future projects. I thought it would be fun to keep the buttons but only on the outside (we don’t want to  find Rodrigo eating buttons). I used cotton wadding in between the two layers of pillowcase and bound everything with a blue and white striped bias tape (I had planned a white binding but didn’t have enough of it and couldn’t find the energy to make 8 or 9 metres by hand). 

The cot now looks much more comfortable and Rodrigo enjoys playing with the ties and pulling everything down.

(photos: Constança Cabral)

Chico Buarque

Nunca consigo responder sem hesitar a perguntas como “qual é o teu livro/filme/prato preferido?”. Também nunca fui de ter ídolos ou amores assolapados por cantores e actores quando era adolescente, encher as paredes do meu quarto com posters, comprar revistas só porque determinada pessoa estava na capa. Apesar de tudo isto, há muitos anos que elegi o Chico Buarque como o meu músico preferido de todos os tempos. Não estou a exagerar quando digo que podia passar dias a fio a ouvi-lo cantar.

Adoro este homem. Pelos olhos verdes (ou serão azuis?), pelo timbre da voz, pelas letras, pelas melodias, pelo conhecimento profundo que tem das mulheres, pelo domínio perfeito da língua portuguesa, por me transportar para um imaginário brasileiro que nunca vivi mas que me encanta, e por nele ver muitas semelhanças com o meu imaginário português, por me lembrar a viagem ao Brasil que ganhei quando tinha 18 anos e onde conheci a minha amiga Gracinha, que me falou n’ A Banda. Quanto mais melancólicas as canções, melhores as acho e mais vezes as ouço. Gostava de conhecer ainda mais músicas, gostava de ter todos os discos dele.

I’ve never been able to answer questions like “what’s your favourite book/film/food?” without hesitation. Neither was I the typical adolescent with huge crushes in actors and singers. In spite of this, I can say without a shadow of a doubt that Chico Buarque is my favourite singer/song writer of all times. I could listen to his songs all day long and never get tired.

I adore this man. I love his green eyes (or perhaps they’re blue?), the tone of his voice, his lyrics, his melodies, his profound knowledge of the Portuguese language, his ability to transport me to an enthralling Brazilian world that I have never experienced, although I can see many similarities with my own world. It also reminds me of the trip to Brazil I won when I was 18, where I met my friend Gracinha, who kept talking about A Banda. The more melancholic his songs are, the more I love them. I’d love to know all his songs and own all his albums.

Posso falar novamente nos olhos dele?
May I mention the eyes again?

Uma das suas músicas mais tristes e mais bonitas.
One of his saddest and most beautiful songs.

O Rodrigo também gosta. E vocês, têm um músico de eleição?
Rodrigo likes it too. What about you, do you have a musician close to your heart?
(photos: Constança Cabral)

Babete :: Baby Bib

Hoje fiz um babete. Não é o que aparece na fotografia, mas é muito parecido; foi encomendado por uma amiga que o quer oferecer a um bebé rapaz. No meio desta loucura de papelada e logística, soube bem fazer algo com princípio, meio e fim.
Today I made a baby bib. It isn’t the one on the picture but it’s very similar; a friend of mine ordered it to give as a present to a newborn baby boy. In the midst of all this craziness of paperwork and logistics, it felt great to make something from start to finish.
(photo: Tiago Cabral)

Encadernação Improvisada :: Improvisational Book Binding

Como já referi aqui mais do que uma vez, não gosto de coisas feias. Daí ter ficado deprimida quando mandei encadernar o novo e-book da Mayi, 5K Sales in 365 Days, e fui confrontada com o facto consumado de umas argolas pretas bastante decepcionantes. A culpa foi minha, que assumi que a encadernação seria feita com argolas finas de metal e não perguntei antes de pagar. Pode parecer ridículo, mas deixei de conseguir olhar para o livro com o mesmo entusiasmo. Aquelas argolas estavam dar-me nos nervos.
I’ve said before that I dislike ugly things. Hence my depression when I was confronted with these disappointing thick plastic black bindings when I had Mayi’s new e-book 5K Sales in 365 Days spiral bound. It was my fault as I assumed they would use thin metal coil bindings and didn’t ask before paying for it. It may seem ridiculous but it made the book much less appealing to me. Those black things were getting on my nerves.

“Difficulties are made to be overcome” é uma das grandes máximas da Miss Lemon, a secretária do Poirot. Não costuma ser difícil arranjar soluções caseiras para estas contrariedades — comecei por livrar-me das argolas e depois lembrei-me de tentar encadernar o livro com uma fita que encontrei no fundo de uma gaveta. Fiz uma espécie de ponto de cobertor (mais tentativa e erro do que propriamente técnica perfeita…)  e resultou! 
A propósito, o 5K Sales in 365 Days é sobre criar e vender produtos digitais e, pelo que li até agora, parece-me excelente. Quando o tiver acabado contar-vos-ei as minhas impressões gerais.
“Difficulties are made to be overcome” — that’s Miss Lemon’s motto (Poirot’s secretary). It’s usually quite easy to find domestic solutions to this kind of problems so after getting rid of the coil bindings, I tried binding the book using a piece of ribbon I found in the back of a drawer. I used a sort of blanket stitch (trial and error rather that perfect stitching) and it worked!

By the way, 5K Sales in 365 Days is all about creating and selling digital products and from what I’ve read so far, it seems excellent. I’ll do a full review once I’ve finished it.
(photos: Constança Cabral)

Guest Post @ IKEA Family Life

Andei à procura de um louceiro antigo para a minha cozinha durante meses mas a busca revelou-se inglória: tudo o que encontrava era enorme, caríssimo ou muito feio. Até que me lembrei de adaptar duas estantes Billy do Ikea — o meu novo post no blog do Ikea Family Live é precisamente sobre isto. Podem lê-lo aqui.
For months I searched in vain for a vintage cabinet for my kitchen: everything I could find was either huge, expensive or ugly. One day I had an idea: I could easily turn a couple of Ikea Billy bookcases into a kitchen dresser! Read all about it in my new guest post in Ikea Family Live here.
(photos: Constança Cabral)