Doce de Morango e Limão :: Strawberry and Lemon Jam

Não muito longe de nossa casa há uma farm shop que nesta altura só vende espargos, morangos e framboesas. A fruta é dividida em duas categorias: fruta de mesa e fruta para fazer doce. Com as caixas de morangos que lá comprámos fiz doce de morango, conforme receita deste livro (que recomendo vivamente). Como não adoro compotas demasiado doces (daí gostar tanto de doce de groselha preta), ao sumo de limão prescrito na receita acrescentei ainda bastante raspa de limão. Programa para hoje à noite: fazer doce de framboesa!
This time of the year, there’s a farm shop not too far from our house that only sells asparagus, strawberries and raspberries. The fruit is divided in two categories: good to eat and good to make jam with. With the boxes of strawberries we’ve bought over there I made strawberry jam, following a recipe from this book (which I highly recommend). Since I’m not a fan of very sweet jams (that’s the reason why I’m so fond of blackcurrant jam), in addition to the prescribed lemon juice I added lots of lemon zest to the mixture. And guess what I’ll be doing this evening: raspberry jam!

(photos: Constança Cabral)

Dia de Santo António :: Saint Anthony’s Day

 

 

 

 

 

 

 

 

Lisboetas que somos, não podíamos deixar o dia de Santo António passar despercebido. Ainda tentámos assar umas sardinhas lá fora mas começou a chover torrencialmente (alegrias do clima britânico!) — então transferimos o arraial para dentro de casa. E na falta de manjerico, usámos manjericão!
Both Tiago and I are from Lisbon so we had to celebrate St. Anthony’s Day (the 13th of June). In Portugal all through June there are street parties celebrating saints (read about them here) — they’re a great excuse to decorate the streets with paper lanterns and colourful bunting, eat grilled sardines, drink wine and sangria and party all night long. We tried to grill some sardines on the barbecue but it started to rain quite heavily (the joys of British weather!) so we moved the party indoors. And since bush basil is hard to find in the UK, we used regular basil instead!

(photos: Tiago Cabral)

Lojas de Caridade II :: Charity Shops II

Muito obrigada por todos os comentários ao meu post sobre as lojas de caridade. É bom saber que não estou sozinha no meu gosto por lojas deste género. Em Portugal ia às vezes à Humana, ao Reto à Esperança, ao Emmaüs e a uma loja em Sintra mas nunca encontrei nada que se assemelhasse à realidade britânica. Uma leitora, a Paula, sugeriu que se fizesse uma lista das lojas de caridade em Portugal. Se frequentam lojas deste tipo e quiserem contribuir, mandem-me um email com a morada das lojas em questão ou deixem um comentário a este post. E agora a vencedora do sorteio: o livro de 1959 calhou à Sónia. Obrigada a todas por terem participado!
Thank you so much for all the comments in my post about charity shops. It’s nice to know I’m know alone in my interest for such places. In Portugal I would sometimes go to Humana, Reto à Esperança or Emmaüs but I never came across anything that could be compared to the British reality. Paula suggested we make a list of all the charity shops in Portugal so if you know any of them, please send me an email or leave a comment below. And now for the winner: Sónia is the new owner of the 1959 book. Thanks to all of you for having taken part in this giveaway!
(photo: Constança Cabral)

Spring :: Sunset

Inglaterra rural, início de Junho, 8h da noite. Céu cor de chumbo, luz dourada, vacas a pastar. Assim é o final da Primavera no sítio onde vivemos.
Rural England, early June, 8 pm. Leaden skies, golden light, grazing cows. This is what late Spring looks like where we live.

(photos: Tiago Cabral)

Lojas de Caridade :: Charity Shops

Falo muito em lojas de caridade e já várias pessoas me pediram para escrever sobre o assunto. As lojas de caridade que frequento aqui em Inglaterra são espaços comerciais geridos por uma instituição de caridade (há dúzias e dúzias de obras de caridade diferentes), que vendem produtos em segunda mão e onde trabalham voluntários. São lojas em ruas normais (não pensem que se localizam em becos escondidos), onde se encontra tudo desde roupa, sapatos, livros, loiças, brinquedos, tecidos… tudo a preços baratíssimos. Algumas lojas tambem vendem móveis e outras são especializadas num só produto (as minhas preferidas são as livrarias). Vivem de doações, usufruem de muitos benefícios fiscais e todo o lucro vai para a obra de caridade a que a loja pertence. A meu ver, são instituições extraordinárias porque todas as entidades envolvidas ganham com elas. O cidadão comum tem um sítio onde deixar aquilo que já não quer ou de que já não precisa, em vez de deitar tudo para o lixo; os clientes das lojas de caridade têm acesso a uma panóplia enorme de coisas, desde roupa da estação passada até loiça com mais de 50 anos, passando por livros, discos, etc.; as obras de caridade têm rendimentos alternativos às doações em dinheiro (mais informações aqui).
I keep mentioning charity shops and several people have asked me to write about them. The charity shops I frequent here in England are retail outlets run by parent charities (there are dozens and dozens of them) that sell second-hand goods and that are staffed by volunteers. Most of them are located in the high street and there you’ll find things like clothes, shoes, books, crockery, toys, fabrics… all sold very cheaply. Some shops also sell furniture and others are specialised in particular products (my favourite ones are charity bookshops). Almost all stock is donated, they get various tax concessions and the profit goes to the parent charity. As far as I’m concerned, they are quite extraordinary because everyone involved wins something. The average person has a place to leave their unwanted things instead of throwing them away; the customers have access to a myriad of things like last season’s clothes, 50-year-old crockery, books, music, etc.; charities have an alternative revenue stream to money donations (more information here).
Como é óbvio, estas lojas estão repletas de tralha. Mas, se uma pessoa for atenta e persistente, consegue lá descobrir muitos tesouros. Tudo depende da paciência e dos interesses de cada um. Eu, por exemplo, quando entro nestas lojas vou directa aos livros, depois espreito as loiças e a roupa de corpo e de casa (sempre em busca de tecidos bons). Por vezes é entrada por saída, mas em certas dias posso passar horas a folhear livros (sempre arrumados por temas). Tudo o que aparece na imagem aqui em cima veio de lojas de caridade, incluindo a mesa, e é uma boa amostra daquilo que me interessa. Há quem goste de comprar roupa, chávenas de chá, puzzles, chapéus…
Of course these shops are full of junk. But there are also treasures to be found, provided that you are attentive and persistent. It all depends of one’s patience and interests. Take me, for example: when I enter these shops I go straight to the bookshelves, then I take a look at the bric-à-brac section and I browse the clothes and household rails (always in search of good fabrics). Sometimes it only takes me two minutes but on certain days I can spend hours looking at books (always sorted out by themes). Everything in the picture above has come from charity shops, table included, and is a good sample of which things interest me. Some people enjoy buying clothes, teacups, puzzles, hats…
E como quero que tirem algum proveito destas minhas incursões, comprei um livro para sortear. O título é The Real Book of Making Dolls and Dolls’ Clothes e foi publicado em 1959. O sorteio estará aberto até domingo; para participar, basta deixar um comentário a este post.
And because I want you to benefit from my excursions, I bought this book to give away. The title is ‘The Real Book of Making Dolls and Dolls’ Clothes’ and it was published in 1959. To enter the giveaway just leave a comment below; I’ll draw a winner next Sunday.
(photos: Constança Cabral)

Truques :: Tricks

Entre a minha mãe, a minha avó a a Martha Stewart, farto-me de aprender pequenos truques para o dia-a-dia. Para engomar um pano com muitos vincos, nada melhor do que borrifá-lo com água, enrolá-lo e esperar meia-hora: o pano ficará húmido qb e será muito mais fácil passá-lo a ferro. Para secar garrafas, copos estreitos e afins, enfiar pelo gargalo um bocado de papel de cozinha enrolado funciona porque absorve completamente a humidade. E um frasco para conservas (daqueles com a tampa separada da parte de enroscar) com um bocado de gaze em cima é excelente para polvilhar bolos e bolachas com icing sugar.
Amongst my mother, my grandmother and Martha Stewart, I learn lots of great tricks for everyday life. When you wish to iron a piece of cloth that’s severely creased, spray it with water, roll it out and wait half an hour: it’ll end up evenly moist and you’ll be able to iron it in a breeze. To dry bottles, narrow glasses and the like, insert a piece of kitchen paper and all the humidity inside will be absorbed. And a preserving jar with a piece of cheesecloth tautly secured with the ring (leave out the cap) is great for dusting icing sugar over cakes and biscuits.


(photos: Constança Cabral)

Vintage Style for Kids :: Book Review

Poucas pessoas resistem a roupa de criança. Eu própria às vezes entro em lojas só para ver os vestidos, os calções com peitilho, os fatos de banho e os sapatos. Gosto de crianças vestidas como crianças e não como mini-adultos. E, apesar de tentar fugir ao revivalismo fácil, tenho de admitir que as crianças de há 30, 40 ou 50 anos vestiam roupa com muita graça. 
Quando me surgiu a oportunidade de fazer uma crítica ao Vintage Style for Kids da Fiona Bell (fundadora da marca londrina Their Nibs), nem pensei duas vezes. Eis um livro ultra apetecível do ponto de vista visual, repleto de modelos de roupa para bebés e rapazes e raparigas até aos 8 anos. Para além de roupa (vestidos, calções, jardineiras, saias, camisas e pijamas), o livro inclui ainda outros projectos para os quartos das crianças e está cheio de pequenos pormenores como receitas e jogos tradicionais infantis. O género de roupa é simples, clássico e intemporal, sem demasiados folhos nem franzidos mas com detalhes que nos transportam para décadas passadas. A produção fotografica é extraordinariamente inspiradora (é incrível como os livros hoje em dia são muito mais do que simples conjuntos de instruções) e há um CD no final que inclui todos os moldes em todos os tamanhos (basta imprimi-los em casa em folhas A4 e depois colá-las umas às outras).
Few people can resist children’s clothes. I sometimes go into shops just to admire the little dresses, dungarees, swimsuits and shoes. I like children dressed as children rather than mini adults. And although I try to stand clear from revival movements just for their own sake, I have to admit that 30, 40 or 50 years ago, children wore really cute clothes.

When the opportunity to review Vintage Style for Kids by Fiona Bell (founder and owner of Their Nibs in London) came up I didn’t even hesitate. Here’s an extremely appealing book full of great designs for babies and boys and girls up to age 8. In addition to all the clothes (dresses, shorts, dungarees, skirts, shirts and pyjamas), the book includes other projects for kids’ rooms and little details like recipes and traditional children games. The style of clothing is simple, classic and timeless, without too many frills but with details that transport you to bygone decades. Both the photography and styling are hugely inspiring (it’s amazing how books nowadays are so much more than just series of instructions) and there’s a CD at the end that includes all the patterns in all sizes (you just have to print them at home and piece them together).

Para testar as instruções, fiz um vestido para a minha sobrinha bebé. O modelo é aquele que aparece na última fotografia, imediatamente antes do primeiro parágrafo que escrevi neste post — aquele cor-de-rosa claro com mangas com babados. Fiz algumas alterações (não o forrei porque o Verão em Portugal é quentíssimo, usei uma fita de viés contrastante, deixei de fora o bolso e apliquei as mangas de maneira diferente) e gosto imenso do resultado.
Em relação ao grau de dificuldade, este não é um livro para principiantes. A meu ver, há dois tipos de instruções no universo dos livros de costura contemporâneos: as americanas e as europeias. As americanas são tão detalhadas que até um marciano as conseguiria seguir, enquanto que as europeias assumem imensos conhecimentos prévios e sobretudo alguma prática. É um bocado como os livros de receitas de há 50 anos e os de agora, já repararam nisso? Este livro, sendo inglês, integra-se claramente na última categoria. É óbvio que fazer roupa de criança não é nada de transcendental e que uma pessoa, desde que se concentre e pense um bocado, consegue fazer a peça de roupa sem problemas, mas parece-me que, quem não cosa há muito tempo e goste que lhe dêem a mão durante o processo, poderá deparar-se com algumas dificuldades. Dito isto, eu estou longe de me considerar uma especialista na matéria e a verdade é que fiz um vestido e tenciono fazer muitos mais. 
In order to test the instructions I made a dress for my baby niece. I chose the one that appears in the last image before the first paragraph I wrote in this post — the light pink with angel sleeves. I made some alterations (I didn’t line it because summers in Portugal are so very hot, used a contrasting bias tape, left out the pocket and fitted the sleeves differently) and I’m very pleased with the result I got.

Regarding the degree of difficulty, I believe this isn’t a book for beginners. As far as I’m concerned, there are two types of instructions in the world of contemporary sewing books: the American kind and the European kind. American instructions are so detailed that even a Martian would be able to follow them, whilst European ones assume a lot of prior knowledge and some practice. It’s a bit like 50-year-old cookery books and modern ones, do you see what I mean? Being British, this book is clearly of the latter type. It’s obvious that sewing kids’ clothes isn’t rocket science and whoever is prepared to focus their attention and think for a minute or two will be able to achieve great results. However, those people who aren’t very experienced and who like to be guided through the whole process may face some difficulties. That being said, I’m by no means an expert and I managed to make one dress and intend to try sewing many more patterns from this inspiring book.

(photos: Constança Cabral)

Flores de Junho :: June Flowers

Anémonas coronárias roxas e encarnadas, papoilas orientais que parecem de papel, nepeta cataria (a erva dos gatos), alchemilla mollis verde-ácido, madressilva ainda por abrir, hortênsia trepadeira, cerastium tomentosum (cujo nome vulgar em inglês é snow-in-summer – alguém sabe em português?), manjericão e rosas, finalmente! É este o panorama do jardim nos primeiros dias de Junho.
Anemone coronaria purple and red, oriental poppies that almost seem they’re made of paper, catmint, acid-green alchemilla mollis, honeysuckle yet to bloom, climbing hydrangea, snow-in-summer, basil and roses, finally! This is what the garden looks like in early June.

(photos: Constança Cabral)

Spring :: Strawberries

Nunca me arrependo de esperar pela estação certa dos morangos. Os morangos de Primavera sabem a morangos, cheiram a morangos e têm ar de morangos (ao contrário daqueles mutantes assépticos e sensaborões que há o ano inteiro no supermercado).

I never regret waiting for the true strawberry season. Spring strawberries taste like strawberries, smell like strawberries and look like strawberries (unlike those aseptic, tasteless mutants one finds in supermarkets all year round).

(photo: Constança Cabral)

Jardinagem :: Gardening

Morangos silvestres, courgettes, abóboras e tomates… todos semeados por mim cá em casa, germinados à janela, virados diariamente para receberem luz em várias direcções, regados quando necessário… Já não imagino o dia-a-dia sem as minhas plantas.
Wild strawberries, courgettes, pumpkins, tomatoes… all of them sown by me indoors, germinated on windowsills, rotated each day so they can have light coming from every direction, watered when needed… I can no longer imagine life without my plants.

(photos: Constança Cabral)