Andei meses a adiar fazer uma protecção para a cama de grades do Rodrigo (haverá talvez um nome mais específico em português para isto?). Não é mais do que um rectângulo muito comprido de tecido almofadado, não especialmente difícil de executar mas extremamente aborrecido (quase tão aborrecido como fazer cortinados). Adiei, fui adiando, o Rodrigo ia ficando com os pés presos nas grades… até que um dia ocorreu-me que o ideal seria aproveitar umas fronhas de travesseiro (sabem, aquelas almofadas muito compridas que eram muito usadas antigamente nas camas) — não só têm as dimensões perfeitas para isto, como estão há anos a encher armários… já sabem que sou muito adepta de dar uso a tudo o que está em bom estado, mesmo que para isso seja preciso modificar-lhe a função original.
(agora um pequeno aparte: sei que existe muito boa gente que ainda dorme com travesseiros, mas a verdade é que em casa da minha avó havia 17 fronhas arrumadas há várias décadas nas gavetas do armário da roupa branca… a última vez que me lembro de ter visto — e dormido — com um travesseiro foi na cama da minha tia-bisavó)
Escolhi as fronhas mais simples para esta protecção de cama — as bordadas e as de linho ficaram guardadas para projectos futuros. Achei que teria alguma graça conservar os botões, mas só o fiz do lado de fora da dita protecção. Usei enchimento de algodão entre duas camadas de fronha, acolchoei à máquina e acabei por debruar tudo com uma fita de viés às riscas azuis e brancas que tinha cá em casa. A intenção original era debruar a branco mas não encontrei fita suficiente dessa cor, e sinceramente, não tive energia para fazer 8 ou 9 metros de fita à mão. Também tinha pensado utilizar os atilhos das fronhas (nem todas fechavam com botões) mas, mais uma vez, não os tinha em número suficiente, por isso usei uma fita branca de algodão.
A cama ficou com um ar muito mais confortável e o Rodrigo acha muita graça a mexer nos atilhos e puxar tudo para baixo.
I knew I had to make a bumper for Rodrigo’s cot but for some reason I kept putting it off. It’s just a very long, quilted rectangle of fabric, fairly simple to make but oh so boring… almost as boring as sewing curtains. Until one day I had an idea: wouldn’t it be great to use some of those old long pillowcases to make a cot bumper? You know those long pillows that beds used to have in the olden days? One long pillow for two people? One long pillow and then some regular pillows on top? Those long pillows are now rarely used but the pillowcases still exist. In fact, a quick rummage through my granny’s linen closet revealed no less than 17 of them.
I picked the plainest pillowcases for this bumper and saved the linen, embroidered ones for future projects. I thought it would be fun to keep the buttons but only on the outside (we don’t want to find Rodrigo eating buttons). I used cotton wadding in between the two layers of pillowcase and bound everything with a blue and white striped bias tape (I had planned a white binding but didn’t have enough of it and couldn’t find the energy to make 8 or 9 metres by hand).
The cot now looks much more comfortable and Rodrigo enjoys playing with the ties and pulling everything down.
(photos: Constança Cabral)