O Pequeno Ajudante da Mãe :: Mummy’s Little Helper

É atrevido, curioso, atento, destemido, paciente até um certo limite e a partir daí muito exigente. Põe-se em pé, abre e fecha gavetas, puxa os tecidos que estou a engomar, tem os seus circuitos já definidos mas de vez em quando lá descobre um novo recanto por explorar. Põe tudo na boca. É um tonto. É muito divertido tê-lo por perto. Mas não ajuda nada a mãe!!
(a propósito, revi-me muito neste texto)
He’s cheeky, curious, alert, daring, patient up to a certain limit and then quite demanding. He stands up on his own, opens and closes drawers, pulls down the fabrics I’m pressing, has his own pre-defined circuits but sometimes finds a new nook yet to be explored. He puts everything into his mouth. It’s fun to have him around. But he doesn’t help mummy one tiny bit!!
(by the way, this post has really resonated with me)

(photos: Constança Cabral)

Roupa de Casa :: Linen

 

 

Desde pequena que tenho um verdadeiro fascínio por roupa de casa. Se fizer parte de um enxoval, então ainda melhor. Gosto de olhar para lençóis, fronhas, toalhas de mesa, toalhas de mão, panos de tabuleiro — gosto de abri-los, tocar-lhes e fazer perguntas: quem bordou? quem encomendou? quem usou? para que serve? A minha mãe teve a sorte de ainda ter tido os lençóis do enxoval bordados por umas freiras de Odemira (isso ainda existia nos anos 60? que inveja! quem me dera!). Confesso que não sou grande apreciadora de rendas, mas dêem-me ajours, bordado inglês, ponto cheio, e sou uma mulher feliz.
aqui referi que fui recebendo peças de um serviço Vista Alegre ao longo dos anos. Claro que agradeço e gosto muito, mas não sei se não teria preferido um clássico enxoval de roupa branca. Uma toalha da Madeira, umas toalhas de Viana, muitos lençóis bordados à mão, enfim. Acham que sou louca?
Na altura de escolher um presente de casamento para a minha querida amiga Mafalda, lembrei-me de lhe oferecer lençóis. A Mafalda não é grande amiga de quilts e a minha mãe deu-lhe uma toalha de Viana, por isso as minhas opções encontravam-se bastante limitadas. Comprei um lençol e duas fronhas do melhor pano que encontrei em Lisboa e apliquei-lhes um terminal bordado. O conjunto ficou bonito e simultaneamente prático para os dias que correm (a verdade é que muitos franzidos e fitas e bordados são uma dor de cabeça para lavar e engomar). Claro que há lençóis muito mais requintados à venda (basta ir ao Paris em Lisboa) e óbvio que nada bate um lençol antigo que já foi da bisavó, mas fiquei contente com este presente. Espero que ela tenha gostado (e o Bernardo também)!

Ever since I was a little girl I’ve had a real fascination with house linen. If it’s part of someone’s trousseau, that’s even better. I love looking at bed sheets, pillow cases, tablecloths, linen hand towels, placemats — I like unfolding them, touching them and asking questions: who has embroidered it? who has commissioned it? who has used it? what’s it for? My mother was lucky enough to still have her bed linen embroidered by nuns (did that still exist in the 1960s? I want that too!). I confess I don’t much care for lace but give me hand-drawn hems, broderie anglaise and satin stitch and you’ll make me a very happy woman indeed.

I’ve already told you that I received a full china set over the years but as much as I am thankful and appreciate it, sometimes I wonder if I wouldn’t have preferred an old-fashioned trousseau. Things like wonderful tablecloths, lots of hand-embroidered bed sheets, the lot. Do you think I’m crazy?

When the time came to choose a wedding present for my dear friend Mafalda, I thought I’d give her bed linen. She doesn’t like quilts and my mother had already given her an embroidered tablecloth so my options were quite limited. I bought one plain sheet and two pillowcases (the best quality ones I could find in Lisbon) and stitched an eyelet panel over the edges. I think the set turn out both beautiful and practical for daily living (truth is, frills and ribbons and elaborated embroideries are a pain to wash and iron). Of course there’s much more refined bed linen available out there (you simply have to pop into Paris em Lisboa) and naturally nothing beats an antique bed sheet that used to belong to your great-grandmother, but I was pleased with this gift. I sincerely hope she likes it (and her husband as well)!

(photos: Constança Cabral)

Muda-Fraldas :: Changing Station

Sábado de manhã. Uma cómoda comprada numa feira de antiguidades a precisar de puxadores novos (os originais eram muito pretensiosos). Umas prateleiras do Ikea. Uns quadros comprados no Etsy ao longo dos anos. Um brinquedo antigo encontrado numa loja de caridade. Uma pilha de fraldas descartáveis (gosto da ideia das fraldas de pano mas a verdade é que não tenho coragem para isso). Umas tigelas com água e algodão em vez de toalhetes. Um boneco musical. O muda-fraldas mais barato do mercado (e um dos mais giros). Um quarto cheio de luz. Um bebé feliz!
Saturday morning. A chest of drawers bought at an antiques fair in need of new knobs (the ones that came with it were rather pretentious). A pair of Ikea shelves. Some art bought on Etsy over the years. An old wooden toy found in a charity shop. A pile of disposable nappies (I like the idea of cloth nappies but I haven’t got the guts for it). Some bowls with cotton wool and water instead of wipes. A musical toy. The cheapest (and most attractive) changing mat I could find. A room filled with morning light. One happy baby! 
(photo: Tiago Cabral)

Shop Update :: Quilt Kits

Há novos quilt kits na loja (mais informações sobre os quilt kits aqui). Todos vendidos em meia-hora — estou completamente zonza! Para semana haverá mais. Muito obrigada!!
There are new quilt kits available in my shop (more information about quilt kits here). Sold out in half an hour — my goodness, I’m feeling dizzy! There’ll be more available next week. Thank you so much!
(photos: Tiago Cabral)

Sol no Jardim :: Sun in the Garden

Nesta altura do ano — e neste país —, todos os minutos de sol são para aproveitar. Ontem o Rodrigo e eu estivemos a apanhar ar no jardim: verificámos o progresso do marmeleiro (que o Tiago e eu plantámos há dois anos e que ainda não nos deu um único marmelo…), sentimos os picos das folhas do azevinho, contemplámos a vista e o silêncio, brincámos com uma hortênsia e olhámos para as vacas. O Rodrigo não se vai lembrar destes momentos, mas eu nunca os esquecerei.
In this time of the year, we must take advantage of every minute the sun is shining. Yesterday Rodrigo and I spent some time in the garden: we checked the progress of the quince tree (which was planted by Tiago and me two years ago and has given us no fruits whatsoever so far), touched the prickly holly leaves, contemplated the views and the silence, played with an hydrangea head and looked at the cows. Rodrigo won’t remember these moments but I shall never forget them.
(photos: Constança Cabral)

Pão-de-Ló :: Portuguese Sponge Cake

Por vezes a abundância de sofisticação cansa-me. Claro que admiro originalidade e engenho — afinal, passo horas em blogs e no Pinterest, compro livros e revistas… tudo isso me inspira. A sofisticação é apropriada em alguns momentos, sem dúvida, mas confesso que, no dia-a-dia, prefiro simplicidade. Simplicidade não significa feito às três pancadas — pelo contrário, as coisas mais simples podem ter muita graça e muito requinte.

Há aqueles dias em que, confrontada com mais uma imagem de um bolo às camadas, com cobertura e decoração de bandeirinhas, só me apetece fazer/comer um singelo pão-de-ló. Se me quiserem acompanhar, eis a receita que a minha mãe me deu:

Decidir o número de ovos em função do número de pessoas a quem o bolo se destina. Como este bolo era só para nós os dois, fi-lo com três ovos.

Pré-aquecer o forno a 180ºC e untar e enfarinhar uma forma (escolher um tamanho de forma apropriado ao bolo que se vai fazer). Pesar os ovos (ainda com casca). Usar o mesmo peso dos ovos em açúcar (eu usei açúcar baunilhado, mas tradicionalmente usa-se açúcar normal). Usar metade do peso dos ovos em farinha. Acrescentar à farinha uma pitada de fermento para bolos.

Separar os ovos. Bater muito bem as gemas com o açúcar, até que a mistura fique branca e fofa. Acrescentar uma pitada de sal fino às claras e batê-las em castelo. Envolver metade das claras no primeiro preparado, depois envolver metade da farinha, depois o resto das claras e finalmente o resto da farinha.

Deitar na forma e pô-la no forno e, quando começar a cheirar a bolo, ir vigiando até o bolo estar bem cozido (eu espeto uma faca no bolo e, quando vier limpa, significa que o bolo está cozido). O tempo de forno depende do tamanho do bolo e do tipo de forno utilizado — este meu bolo demorou 20 minutos num forno eléctrico com ventoinha.

Tirar o pão-de-ló do forno, esperar 10 minutos e desenformar. É excelente acompanhado de leite com chocolate!

I sometimes find sophistication a bit tiresome. Of course I admire originality and wit and of course I’m inspired by blogs and Pinterest and magazines and books. Sophistication can be very appropriate in particular moments but I confess I tend to choose simplicity in my daily life. Simplicity doesn’t have to be wonky or untidy — on the contrary, the simplest things can actually be full of charm and refinement.

There are those days when, confronted with yet another image of a layered cake, fully iced and decorated with mini-bunting, I just want to bake/eat a simple pão-de-ló (Portuguese sponge cake). If you sometimes feel the same way, please feel free to try out my mother’s recipe:

First you’ve got to decide the number of eggs you want to use (this depends on the number of people the cake is aimed at). For Tiago and myself I used 3 eggs. 

Pre-heat the oven at 180ºC. Butter and flour a cake tin (choose an appropriate size for the cake you’re going to make). Weigh the eggs (still in their shells). Use that same weight in sugar (I used vanilla sugar but traditionally one would use caster sugar). Use half of that weight in flour. Add a pinch of baking powder to the flour and sift it.

Separate the eggs. Beat the yolks with the sugar until the batter becomes white and thick (this takes some time). Add a pinch of salt to the egg whites and whisk them until soft peaks form (they shouldn’t move when you turn the bowl upside down). Gently incorporate half the egg whites into the cake batter, then half the flour, then the remaining egg whites and finally whatever is left of the flour. 

Pour the batter into the tin and put it in the oven. When it starts smelling like cake, keep an eye on it and remove from the oven when it’s done (I insert a knife on the cake and when it comes out clean, I know that the cake is done). The amount of time the cake takes in the oven will depend on the size of the cake and on the type of oven. My cake took 20 minutes on a fan oven.

Wait 10 minutes and then take the cake out of the tin. It’s delicious with a glass of chocolate milk!

(photo: Tiago Cabral)

Vencedoras :: Winners


Muito obrigada por tantas ideias excelentes para utilizar etiquetas! Tirei à sorte de entre todas as participações e as cinco vencedoras são as autoras dos comentários que reproduzo abaixo. Por favor enviem-me um email com as vossas moradas. Bom fim-de-semana!
Thank you so much for so many amazing ideas for using kraft paper tags! I have randomly selected five commentators from within all the entries and the five winners are the ones that wrote the comments  below. Please send me an email with your addresses. Have a great weekend!

 ‪teresa said…
No Natal são óptimas para etiquetar as lembranças e prendas, sobretudo as feitas em casa: compotas, marmelada, pickles e licores. Ou os bonecos que vou fazer para os sobrinhos…
‪ lansucci‬ said…
Gosto muito de tudo o que se refere a papelaria. Ano passado, fiz umas etiquetas utilizando colagens de papel colorido, tecidos, rendas e botões, tudo feito e costurado à mão e utilizei-as como cartão de cumprimentos, acompanhando presentinhos. Quem as viu e/ou as ganhou, gostou muito.
É claro que gostaria muito de ser sorteada e ganhar etiquetas vindas das tuas mãos, um privilégio, pelo tanto que admiro teus trabalhos. Bjo Concha.
 ‪RITA said…
Etiquetas para tudo…
Caixas para as pirmeiras roupas(guardadas vezes 4) para as quatro com os presentes de baptizado, primeiras comunhãoetc…
Para idenficar presentes de Natal mas sobretudo para idenficar caixas e caixas de coisas que 6 pessoas numa casa conseguem acumular…
Bjs.
Rita
‪ Kat… said…
Este ano vou oferecer licor de morango, tangerina, canela e gengibre, que já estão em preparação há alguns meses. Essas etiquetas ficariam perfeitas nas garrafeiras que vou oferecer!
Cátia
 ‪Giesta said…
Adorava ter essas etiquetas. Parecem-me perfeitas para etiquetar gavetas, prateleiras e caixotes de arrumação.


(photo: Constança Cabral)